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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Festival Cultura Inglesa: todas as falhas no som e bandas internacionais se esforçando para deixar o dia histórico

Os shows do Cultura Inglesa Festival de 2014 aconteceram neste domingo, 24, em São Paulo, no Memorial da América Latina. Ele está na sua 18ª edição, mas eu venho acompanhando-o há apenas três anos. A organização sempre trouxe bandas de peso para seus eventos gratuitos, como Gang of Four e Franz Ferdinand. O lado positivo da gratuidade dos shows é contraposto pelas filas gigantescas e a incerteza se você vai consegui entrar no local (até então o Parque da Independência). Entretanto, esse ano, duas coisas me fizeram sair de casa e encarar o Festival: The Jesus and Mary Chain e a retirada antecipada dos ingressos (mesmo continuando gratuito).

Fiz questão, inclusive, de chegar cedo e acompanhar todas as bandas.

Festival Cultura Inglesa 2014: Chuva e frio o tempo todo (Foto: Flickr Cultura Inglesa)
Antes de falar delas, falar do evento em si: o Cultura Inglesa Festival desse ano, por algum motivo (Chuva e frio sem fim? Preguiça de retirar o ingresso? Ter que pagar uma taxa de 5 reais com cartão de crédito para não ter que retirar o ingresso? Não sei), não foi sucesso de público, no sentido de lotar o local (não sei se em algum momento foi esse o objetivo, então, até pode ter sido sucesso de público), que foi o Memorial da América Latina, pertíssimo do metrô Barra Funda. O fato de não lotar foi positivo para o atendimento nas barracas de comida (com direito a comida brasileira, inglesa e indiana - e sem direito a bebida alcoólica), que só pesou no preço; e também no acesso aos banheiros, sempre fácil.

A banda de abertura foi o Staff Only, formada por professores da Cultura Inglesa e que tinha claramente um objetivo institucional de mostrar o quão divertido pode ser estudar com eles. E sim, entre erros, insegurança e desafinos, cumpriram bem a lição, com clássicos do rock britânico. Entretenimento e ponto. Foi bem divertido.

Staff Only garantiu uma abertura muito divertida. (Foto: Flickr Cultura Inglesa)

Em seguida, tocaram os meninos do Voliere. Nitidamente muito seguros, foram bem prejudicados na música de abertura, um cover do Bloc Party, uma vez que não se ouvia o vocal. O instrumental estava impecável, parecendo a banda original (considero isso um problema, neste caso), e o vocal, quando apareceu, me lembrou muito Arctic Monkeys.

Batata (e não era Fish & Chips)! A cover seguinte foi Arctic Monkeys, tocada de forma impecável (como um problema pra mim, de novo). Quando os meninos arriscaram uma própria, pareceu um mix de músicas do Bloc Party, Strokes e, claro, Arctic Monkeys. Mix pois a música era interminável e parecia conter várias faixas, altas e baixas, em uma só. Quase um potpourri. Depois, seguiram para mais covers de Arctic Monkey, um improvável The Police, e Strokes. E mais uma própria cabível de processo de plágio, mas que sai pela tangente pela desculpa da "influência". Voliere está para Arctic Monkeys assim como Moptop estava para Strokes, tempos atrás.

Voliere. (Foto: Flickr Cultura Inglesa)

Já é o terceiro parágrafo que escrevo sobre a Voliere e explico: os meninos são muito bons na execução mas peca na criatividade nas faixas próprias. Tento dar uma chance, pensando o quanto Legião Urbana copiava as bandas inglesas até conseguir fazer algo realmente próprio e criativo. Talvez o caminho deles seja o mesmo. Se não, será uma pena e não serão "promessa do rock alternativo", como foram apresentados.

Em seguida tocou uma pianista, Monique Maion, acompanhada de um rapaz com um baixo acústico, que prometeu uma homenagem a Amy Winehouse. A música que abriu o show aparentemente era uma canção prória em, dãr, homenagem a Amy. Duas palavras: interminável e sonolenta. E, mais uma vez, problemas técnicos deixaram o baixo com um som estalado e mais grave do que devia. Tinham momentos que dava vontade de pedir para o baixista encerrar seu trabalho.

Monique Maion. (Foto: Flickr Cultura Inglesa)

Duas coisas são certas: ela canta muito e tem uma voz potente. Todo o restante é errado. As músicas pareciam deformadas ou incompletas, não ter uma banda de apoio fez muita falta. As vezes, o piano era trocado pela guitarra o que deixava o show com cara de demo tape, parecendo apenas rascunhos do que algum dia poderia virar uma música. E olha que ter duas pessoas na banda não é desculpa para deixar a música com algo faltando, basta pensar em Dresden Dolls.

E, enfim, Los Campesinos!, que não tem muito o que falar. Cumpriram o protocolo: animaram o público, agradeceram ao país e ao evento, dançaram, pularam... e, claro, sofreram com os problemas técnicos. Nós, do público, precisávamos nos concentrar muito para ouvir o baixo.

Los Campesinos! entregou um show bem bom. (Foto: Flickr Cultura Inglesa)

Sofreu também a atração mais esperada do festival, The Jesus And Mary Chain. A princípio, pareciam que todos os problemas que aconteceram com as outras bandas sumiram, mas não. Após diversas faixas serem executadas com perfeição (nesse caso, algo extremamente positivo), a banda errou algumas vezes, que fez com que o vocalista Jim Reid recomeçasse a música, e sofreu. E esse sofrimento foi passado com angústia para quem os assistia.

Jim apertava o retorno em seus ouvidos na tentativa de não sei o quê, enquanto ainda cantava. Mas, na música mais esperada, Just Like Honey, não deu. Pediu pra começar de novo. Passou toda a música com as mãos nos ouvidos, com um olhar sofrido, provavelmente não tendo ideia da altura da sua voz. Arrastou Honey. E o olhar sofrido não é o mesmo de suas fotos, sempre depressivas, uma vez que durante todo o show riu bastante e mandou beijos barulhentos para a plateia.

Ainda assim, houve bis. Nossa sorte.

The Jesus And Mary Chain. (Foto: Flickr Cultura Inglesa)
A chuva parou alguns momentos, voltou em diversos outros. A barraca do picolé estava sempre vazia, o que foi bom para mim, que pude experimentar diversos sabores sem demora. E o Festival que teve tudo para ser histórico, ficou marcado pelo frio, chuva, muitas, para não falar todas, falhas no som e com bandas internacionais que deram o máximo para aquele dia ficar para história.

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