Você vai morrer de amores por esse texto. "Por
quê?" você pergunta. Eu digo: o começo de um texto deve ser instigante.
Solte algo misterioso, grotesco talvez, de várias interpretações, só de inicio,
de meio ou de fim. Em Mad Max, você não respira nos primeiros quinze minutos. E,
depois disso, vai querer entender o que foi tudo aquilo. Ok, mas Mad Max não é
um texto.
Tartaro, ep solo de Guilherme Maronka, também não. E
Vermelho, canção que abre a parada toda, ainda assim, é um bom começo. Pop, fluida,
forte, sincera, uma segurança por ser inseguro, uma busca certa pelo
descontrole. Ela começa robusta, o refrão não demora a vir e te segura até o fim
da história (ficando na sua cabeça até o fim da vida). Na verdade, até o próximo capítulo.
Um texto com bom começo garante para o autor mais
liberdade. Agora, pode explorar outras linguagens, afinal, já comprou sua
atenção, o mínimo que pode fazer é dar a chance para ele contar os detalhes em outros ritmos. Scream, que precisou de quase uma dezena
de filmes para contar o mesmo enredo, agora virou série. Não é bem disso que
estou falando, Scream nem é texto.
Congelado, a balada não dançante, também não, mas traz uma
liberdade de acalmar a alma, indolor para falar de dor – ou ao menos de
melancolia -, e, assim como logo vem, se vai. Abre caminho para o sucesso, pelo
menos de vezes escutadas, Panapaná. É clara a influência de Esteban em Maronka,
que se apropria das referências e lança algo seu, como se falasse "daqui,
deixa eu fazer do meu jeito". Ou "deixa eu colocar um pouco mais de distorção
nisso".
Ao desfecho de um texto, um plot twist é sempre bem-vindo para
não se perder o interesse pelo final, a não ser que você seja o Shyamalan. Pra ele,
plot twist seria não tê-lo. Mas Shyamalan, a rigor, não se dedica a textos
como produto final. Nem Preto/Branco Pt II, que encerra Tartaro, funcionando como
uma conversa e um cair no sono após [coloque aqui algo que você
gosta muito]. A surpresa fica por conta de um material de tamanha qualidade
vindo assim, de forma inesperada.
Sei que não morreu de amores por esse texto. Pois é, muitas
obras não cumprem o que prometem. Por falar em Shyamalan, lembra o que a
campanha publicitária de Corpo Fechado prometeu e o filme, ainda bem, não
entregou? Acontece. Mas você vai morrer de amores por Tartaro. Confie em mim.
Se você odiou o texto, bom, todo mundo merece uma segunda chance. Se gostou,
ganhei sua confiança, então segue aí a dica e dá o play.
