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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Uma história de amor e fúria

Tive o prazer de estar presente na pré-estreia da animação nacional Um História da Amor e Fúria, graças ao convite de meu amigo André Nakao, que participou da produção do filme. Eu havia visto o trailer e confesso que o que chamara a atenção, a princípio, foi o fato de ser um desenho brasileiro com participação de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro.Sendo esses fatores isca ou não, acontece que o filme pega de jeito, de forma tensa e envolvente.

Ele é resultado de mais de cinco anos de produção, roteirizado e dirigido por Luiz Bolognesi (Bicho de Sete Cabeças, Chega de Saudade, Terra Vermelha, As Melhores Coisas do Mundo) e conta, além dos já citados atores, com trilha sonora do Instituto.

 História se passa na Ditadura... Foto: divulgação

O filme conta a história do Brasil e vai além, passando por quatro momentos distintos: colonização, escravidão, ditadura e futuro. O protagonista, imortal e presente em todas essas épocas, é guiado por seu amor a Janaína (e suas encarnações) e por diversas batalhas, sempre estando no lado dos mais fracos.

Ficção, mito e realidade se cruzam com grande harmonia, graças a estudos históricos e antropológicos. E, assim como o personagem de Selton Mello, Bolognesi resolveu ficar ao lado dos mais injustiçados, afinal, "seus heróis não viraram estátuas".

O futuro mostra um Rio de Janeiro como 1984 - ou pior -, com escassez de água, monopolizada pela irônica empresa Aquabrás, além de possuir uma segurança totalmente privatizada.

O amor e a fúria se confundem. Não se sabe se o protagonista é guiado realmente pela paixão ou pela sua sina da imortalidade que o possibilita "lutar pelo seu povo", missão que recebe em troca do dom. Talvez os dois. A própria Janaína, mesmo reencarnada em épocas diferentes, dá continuidade a suas batalhas. A imortalidade parece ser somente um ponto de vista.

... e também no fututo. Foto: Divulgação

Bolognesi aproveitou os características da animação, realizando o que não seria possível em live action. Guerras entre centenas de índios, franceses e portugueses, uma cidade no mais extremo sentido da palavra futurista, com carros voadores e mais. Tudo isso, em uma boa mescla de 2D e cenários em 3D.

"Viver sem conhecer o passado é como andar no escuro". O desenho é sério, adulto, tenso e promete marcar época na animação nacional. Traz, com maestria, a união da história do Brasil com um romance consistente, além de prever um futuro apocalíptico, mas totalmente sensato. Essas características acabam por tornar o filme em algo completo, com entretenimento, contexto, emoção e até um teor sustentável e revolucionário.


O filme estreia nesta sexta, 5 de abril.